terça-feira, 31 de março de 2015

Monique Evelle: "A construção continuará sendo sempre em conjunto"

Entrevista com Monique Evelle, da Rede Desabafo Social

Por Welber Santiago

Com apenas 16 anos Monique Evelle criou o Desabafo Social, uma rede composta por adolescentes e jovens espalhados por treze estados do Brasil que atua na área de Direitos Humanos da Infância e da Juventude, através de atividades de comunicação e educação. Hoje com 20 anos é estudante do Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades com ênfase em Política e Gestão da Cultura na Universidade Federal da Bahia, está na lista das “30 mulheres com menos de 30 para ficar de olho em 2015″, feita pela Revista Cláudia e Portal MdeMulher, da Editora Abril.

De acordo com ela, o trabalho do Desabafo Social acontece no cenário físico por meio de palestras, seminários, rodas de conversas, oficinas e participações de eventos além mobilizações e articulações a região Nordeste na (RENAJOC) Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores. E no cenário virtual com debates on-line por meio das redes sociais e do programa de Web Rádio.

Em 2013 Evelle ficou entre 25 mulheres negras mais influentes da internet no Brasil pelo site Blogueiras Negras. Em março de 2014 o Desabafo Social ganhou o Prêmio Protagonismo Juvenil pela (ABMP) Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos. Desde o início de outubro de 2014, Monique é orientadora de organizações e pessoas da América Latina, criando um intercâmbio de conhecimentos e auxiliando na formação de redes sustentáveis, através do projeto Mucho con Poco - Líderes Inovadores de América Latina, uma iniciativa dos Asuntos del Sur. Confira a entrevista com a ativista social.

Quando começou o Desabafo Social?

ME - Inicialmente, o Desabafo Social era para ser o nome do grêmio estudantil do colégio que estudava, o Colégio Estadual Thales de Azevedo. Mas como eu queria fazer algo além disso, em 2012 comecei a fazer pequenas ações no Nordeste de Amaralina, abordando a temática dos Direitos Humanos. E, no final de 2012, o Desabafo começou a ser procurado por pessoas de outros estados querendo colaborar.

Onde você mora qual a relação com sua família e vizinhos?

ME - Sou do Nordeste de Amaralina. Minha família apoia tudo que eu faço e os vizinhos aderem à causa, perguntando quando vai ter mais atividades.

Qual é o público do Desabafo Social?

ME - Em sua maioria é formado por adolescentes entre 12 e 17 anos, estudantes e moradores de bairros populares.


Onde o Desabafo tem extensões e como funciona?

ME - Cada cidade que tem colaboradores do Desabafo realiza atividade de acordo com a dinâmica local e habilidade do colaborador. Em Maceió, por exemplo, os colaboradores debatem muito sobre Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes, pois é um tema que eles têm mais facilidade de discutir. Em São Paulo, a pauta já é a Participação e Controle Social. Por aí vai. Uns realizam mais atividades de formações, outros contribuem mais com o blog.

De onde vem o incentivo?

ME - Quando eu estava na terceira série li o livro Por uma Semente de Paz e sempre quis ser a professora do livro (é semelhante ao filme Escritores da Liberdade). Depois disso, cresci querendo trabalhar na área de Educação e então criei o Desabafo Social nessa linha.

Como você recebeu a indicação para a lista das “30 mulheres com menos de 30 para ficar de olho em 2015″, feita pela Revista Cláudia e Portal MdeMulher, da Editora Abril?

ME - Me ligaram, dizendo que viram meu trabalho pelas redes sociais e que achavam que seria bom ter uma pessoa como eu na lista.

Como você recebeu a indicação?

ME - Fiquei surpresa, claro. O Brasil é imenso e tem mulheres fantásticas por todos os cantos e eles vieram logo fazer contato comigo.

Que pessoas são suas referências?

ME - Minhas referências vêm de casa, são meus pais. Além deles, as pessoas próximas que admiro na realização de seus respectivos trabalhos. Não vai ter espaço para colocar aqui. Há também autores que inspiram, como Paulo Freire.

O que, para você, é um futuro promissor?

ME - Talvez a forma de empreender minha própria vida, minha própria história.

Monique Evelle continua a mesma pessoa com esta indicação?

ME - Cada vez que aparece uma indicação, uma reportagem, fico mais preocupada em dar conta dessa responsabilidade. Só aumenta a responsabilidade depois de algo assim.

Onde você pretende chegar?

ME - Não sei exatamente. Mas onde quer que chegue será com o Desabafo Social.

O que o publico do Desabafo Social pode esperar de você após esta indicação?
ME - Antes eu já era comprometida com meu trabalho, agora ainda mais. Com certeza a qualidade de conteúdo que produzimos irá aumentar, nossas ações serão cada vez mais espalhadas pelas cidades, a construção continuará sendo sempre em conjunto. Tenho abertura para o diálogo e não é agora que vai mudar.

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